Golpe, acordão, impeachment? Consequências da prisão de Queiroz e saída de Weintraub.

    A saída do ministro da Educação, Abraham Weintraub, do governo Bolsonaro e a prisão de Fabrício Queiroz no mesmo dia podem sinalizar alguma direção neste cenário político caótico que é o mandato de Bolsonaro?
    Depois que foi flagrado e se deixou flagrar vociferando contra os ministros do STF, o já ex-ministro era tratado como moeda de troca para acalmar ânimos e aparentar normalidade com sua demissão, o que penso ser uma característica impossível num governo em que seus membros xingam e pedem pela prisão de juízes que vão julgar ações contra eles. 


Golpe ou autogolpe
    A corda já estaria sendo esticada o suficiente, para lembrar a linguagem e o aviso (ameaça) do ministro Luiz Eduardo Ramos? A semana teve 1- prisão de Fabrício Queiroz, assessor de todas as horas dos Bolsonaro, 2 - a saída do ministro da Educação, 3 - a confirmação do inquérito das Fake news, e 4 - a quebra de sigilos de aliados parlamentares do presidente. Parece que já falta corda para tamanho esticamento. É para o golpe que caminha Bolsonaro?


Impeachment
    A prisão preventiva de Queiroz, mantenedor dos segredos do rei, operador de várias funções para a família e para o presidente desde a década de 80, mais o pedido de prisão de sua esposa é o ponto inicial para delações que vão facilitar a aprovação dos pedidos de afastamento. É para o impeachment que caminha Bolsonaro?


Acordão
    A entrega do cargo do ministro Weintraub, protegido do capitão, sinalizaria a disposição para serenar, se isso fosse possível com Bolsonaro. Mas a tentativa funcionaria dado o adiantado da hora, depois de tantos discursos contra a democracia e as instituições, da participação de atos contra o Congresso e o STF? Os interesses da oposição e da militância bolsonarista não cabem na mesma máquina de costura.  Bolsonaro vai conseguir, com esse recuo, ampliar as costuras necessárias para se manter no cargo, sinalizar ao STF, neutralizar, por hora, a oposição? A militância bolsonarista aceitaria mais esse recuo, além de outros necessários para a governabilidade até o fim do mandato? Todo movimento será considerado para acalmar os ânimos das instituições,  da população de um país com a economia quebrada e com pandemia, ainda que tantos tenham que se esforçar para aparentar uma impossível normalidade. É para o acordão que caminha Bolsonaro?







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