Quando uma ameaça de reeditar o Ato Institucional que fechou o Congresso e cassou direitos políticos dos eleitos pelo povo é usada para manipular o noticiário e as redes, o bolsonarismo avança mais uma casa do jogo que domina tão bem. A semana começa com o noticiário apontando para o ex-melhor amigo do presidente, Queiroz, em áudios que demonstram o potencial do ex-assessor balançar a ilusória estabilidade do Governo. A voz que faz as afirmações é a do organizador das supostas rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro e de um soldado que tem consciência de estar abandonado e ferido. No meio da semana, a notícia principal é o conteúdo do depoimento em que um porteiro teria mentido ao acusar o presidente do país de ter autorizado a entrar em seu condomínio o suspeito de assassinato da vereadora Marielle Franco.
Pelas reações tranquilas que tivemos até o fim do dia da divulgação da entrevista de Eduardo Bolsonaro sobre o AI 5, a sexta-feira trará mais algumas repercussões da ameaça do deputado em fechar o Congresso, agora estampando nas homepages e nas timelines o assunto que ele escolheu como pauta. É uma jogada eficiente de retirar a atenção do público e da mídia de um ponto e levá-la para outro. A repercussão e a observância do desdobramento das duas principais notícias da semana sobre o presidente perdem terreno para o pseudo fato novo, esse criado pelo filho, que logo em seguida pede desculpas pelo que falou espontaneamente. Acredita quem quiser.
A diferença entre as três notícias é que as que tratam sobre Queiroz e o porteiro são baseadas em fatos, e até onde se saiba são informações apuradas pelos jornalistas. Na reportagem do Globo que traz áudios de Queiroz falando sobre a facilidade de indicar cargos para gabinetes de Flávio e mais parlamentares, além de dizer que tratou com o presidente da demissão de uma pessoa que seria funcionária fantasma, a notícia se sustenta pela importância que tem a afirmação de alguém que foi assessor do gabinete do filho do presidente e amigo pessoal de Jair Bolsonaro a ponto de ter feito empréstimos financeiros confirmados pelo próprio mandatário. A voz do soldado ferido está lá e tratando da indicação de cargos pagos com o dinheiro público como se fossem galinhas que ele cria em seu quintal.
A notícia sobre o depoimento do porteiro do condomínio onde o atual presidente tem casa é baseada em documentos jurídicos atestados pelas autoridades que investigam a morte de Marielle Franco. A entrevista de Eduardo Bolsonaro em que fala sobre coibir ações da esquerda com mais um AI 5 é uma informação dada espontaneamente por ele em entrevista que concedeu, é um ato previamente agendado. Também é notícia por se tratar de um membro do Congresso, mas neste caso tem a participação espontânea do personagem. Parece óbvio, mas é preciso entender e atentar para o modo como os assuntos ganham as manchetes e monopolizam as redes sociais. Como eles chegaram lá? Quem falou sobre isso? Qual o contexto? Por que falar de determinado assunto nesta data? Que outros assuntos estavam em destaque na mídia quando este tema ganhou atenção? Que informações Eduardo Bolsonaro tem sobre ações da esquerda que justificariam qualquer tipo de reação? O jornalista que fez a entrevista fez as perguntas que responderiam a essas questões ou apenas deixou o entrevistado falar?
Se a fala autoritária, criminosa e provocativa do deputado não desencadear nenhuma consequência prevista pelas instituições, sua entrevista pode configurar a data em que o Brasil morreu como nação democrática e virou um reality show em que povo, autoridades e instituições aceitam e desculpam qualquer ofensa pré-fabricada para atender aos interesses da família Bolsonaro.
Pelas reações tranquilas que tivemos até o fim do dia da divulgação da entrevista de Eduardo Bolsonaro sobre o AI 5, a sexta-feira trará mais algumas repercussões da ameaça do deputado em fechar o Congresso, agora estampando nas homepages e nas timelines o assunto que ele escolheu como pauta. É uma jogada eficiente de retirar a atenção do público e da mídia de um ponto e levá-la para outro. A repercussão e a observância do desdobramento das duas principais notícias da semana sobre o presidente perdem terreno para o pseudo fato novo, esse criado pelo filho, que logo em seguida pede desculpas pelo que falou espontaneamente. Acredita quem quiser.
A diferença entre as três notícias é que as que tratam sobre Queiroz e o porteiro são baseadas em fatos, e até onde se saiba são informações apuradas pelos jornalistas. Na reportagem do Globo que traz áudios de Queiroz falando sobre a facilidade de indicar cargos para gabinetes de Flávio e mais parlamentares, além de dizer que tratou com o presidente da demissão de uma pessoa que seria funcionária fantasma, a notícia se sustenta pela importância que tem a afirmação de alguém que foi assessor do gabinete do filho do presidente e amigo pessoal de Jair Bolsonaro a ponto de ter feito empréstimos financeiros confirmados pelo próprio mandatário. A voz do soldado ferido está lá e tratando da indicação de cargos pagos com o dinheiro público como se fossem galinhas que ele cria em seu quintal.
A notícia sobre o depoimento do porteiro do condomínio onde o atual presidente tem casa é baseada em documentos jurídicos atestados pelas autoridades que investigam a morte de Marielle Franco. A entrevista de Eduardo Bolsonaro em que fala sobre coibir ações da esquerda com mais um AI 5 é uma informação dada espontaneamente por ele em entrevista que concedeu, é um ato previamente agendado. Também é notícia por se tratar de um membro do Congresso, mas neste caso tem a participação espontânea do personagem. Parece óbvio, mas é preciso entender e atentar para o modo como os assuntos ganham as manchetes e monopolizam as redes sociais. Como eles chegaram lá? Quem falou sobre isso? Qual o contexto? Por que falar de determinado assunto nesta data? Que outros assuntos estavam em destaque na mídia quando este tema ganhou atenção? Que informações Eduardo Bolsonaro tem sobre ações da esquerda que justificariam qualquer tipo de reação? O jornalista que fez a entrevista fez as perguntas que responderiam a essas questões ou apenas deixou o entrevistado falar?
Se a fala autoritária, criminosa e provocativa do deputado não desencadear nenhuma consequência prevista pelas instituições, sua entrevista pode configurar a data em que o Brasil morreu como nação democrática e virou um reality show em que povo, autoridades e instituições aceitam e desculpam qualquer ofensa pré-fabricada para atender aos interesses da família Bolsonaro.
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