A aldeia mal cantada de Bolsonaro



     A ambição de consquistar grandes públicos, alcançar grandes objetivos, desbravar novos mundos esteve sempre na mente dos homens, dos grandes e dos pequenos. A humanidade sempre alojou os dois tipos. A história acolhe os grandes. Mas não poderíamos saber quem são os grandes, se não fossem as trapalhadas dos pequenos. Alexandre, o grande? Por quê ? Para diferenciá-lo do pequeno.
     Nos dias atuais, que não parecem mais dias, e sim meses encapsulados em 24 horas, a avalanche de informações tem o potencial de erodir os fatos. A verdade é cada vez mais nuançada, atacada por dúvidas propositais, a ideologia e o partidarismo se disfarçam de espectro político e opinião para afastar o entendimento, evitar o significado e produzir narrativas que não se podem conhecer totalmente. Como é difícil esconder qualquer coisa, dada a exposição da internet e do fim da privacidade, é mais fácil criar pequenos fatos para que nunca se entenda a trama toda. O interesse se volta para o pequeno fato novo, escondendo a grande narrativa. É mais fácil para o pequeno homem se disfarçar de grande, prolongando a vergonha alheia de suas trapalhadas.
     Uma boa saída para conseguir lidar e se beneficiar de tanta informação é falar de sua aldeia (sua casa, seu povo), tática utilizada também por vários poderosos que tentam falar como se fossem do povo, para o povo, se parecendo com ele. Eleger afinidades, parecer humano. Pode ser também uma estratégia para tornar o grave comezinho, para que nenhum crime ou desmando pareça uma característica sua, mas só mais uma banalidade dos tempos que vivemos (pertencente ao tempo e não a pessoa que banaliza).
     O que vemos agora, no Brasil, é um Governo que quer vender sua simplicidade local, cantando suas modinhas, oferecendo suas piadinhas e sua ideologia tóxica como se fossem a cultura toda de um país. O aldeota notório quer desbravar o comércio exterior, por meio de embaixadinhas e embaixadores, se vendendo como simplório para alcançar o sofisticado comando de uma embaixada para um de seus filhos. É a tentativa do convencimento por meio de um discurso simplista de homem do povo para conseguir se instalar onde o povo não entra, utilizando apenas seus "recursos" familiares, como se esse valor bastasse e não houvesse conhecimento a ganhar e hierarquia a percorrer.
     Por enquanto, continuamos a assistir a essa hipervalorização dos maus costumes, da religião do ministro que "acerta suas contas com Deus" e não com a Justiça, dos compadrios, das indicações, da vontade de interferência da religião no Estado, da troca de dados pelo achismo, até que o mundo e seus incêndios mostram a força da urgência universal. A força bate de frente com o aldeota que finge querer que sua aldeia faça parte do mundo, mas é desmascarado quando vê que o mundo funciona com valores e éticas universais e não particulares. Rafael Fais rafael fais

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