Encontro ao sol entre nova e velha política causa a briga entre a vontade, o discurso e a vida real na disputa pela Assembleia Legislativa de São Paulo

   




    Janaina Paschoal não conseguiu instalar o que seria a nova política na Assembleia Legislativa de São Paulo, coisa que queria fazer, logo de largada, se fosse eleita presidente da casa. Perdeu de lavada para reeleição de Cauê Macris. A deputada reclamou que não houve debate. São biomas diferentes, mas na disputa pela Presidência da República, o candidato de seu PSL, hoje presidente, também não debateu, por razões médicas, embora tenha feito até flexões de braço para demonstrar que estava bem.
 
    Uma das candidatas que mais apoiou Bolsonaro, a campeã de votos em São Paulo deve ter sentido a mesma frustração que inúmeros eleitores por não ver seu candidato realmente questionado, privando de chance a todos que queriam conhecer melhor seus pensamentos sobre os temas da administração do país. O lamento de Janaína sobre a ausência de debate na disputa da Assembleia de São Paulo  mostra a dessintonia entre discurso, vontade e vida real. Todos sabem que o PSL abusa de truques velhos, um deles o de vender como nova a velha política, taí o escândalo das denúncias das candidatas laranjas, durante a campanha eleitoral, o audio da compra de votos para aprovação da reforma da previdência, ministro réu confesso em recebimento de caixa dois, etc. A vontade de Janaína é de implantar novos temas e projetos na casa, mas seu adversário não aceitou debater. Macris jogou com fichas já jogadas para sair vencedor; usou a mesma tática de Bolsonaro na disputa presidencial. Se acusá-lo de fazer velha política, a deputada acaba acusando também o presidente que tanto apoia, e tanto apelou para a "renovação da política" em seus discursos recentes. O próprio guru do presidente disse, hoje, não saber o que ele pensa e desconhecer qualquer ideia dele. 
 
    Para não virar refém de situações como as de sufocamento da nova política que prega, além de alguns outros desconfortos que ela mesma já citou, e mais, para evitar os muitos dissabores que podem surgir, Janaína poderia fundar um novo partido ou assumir a liderança de alguma sigla que aceite sua verve, onde ela tenha maior influência e acolhida para sua independência. Fora do PSL poderá usar melhor os anos de seu mandato, propor e implementar algo novo de verdade.
 
    O que a deputada mais votada não deve fazer é repetir o lema da nova política, instalada num antiquário. Janaína  sempre será questionada  sobre onde estão  "os resultados" da nova política, e ela só terá peças do século passado para consertar um Brasil que lhe  depositou confiança em troca de transparência e rompimento com práticas antigas nocivas.  
 
    Atuais requisitos para uma deputada mudar de partido. Qual a melhor opção para Janaina?
 
a - Incorporação ou fusão de partido
b - Criação de novo partido
c - Mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário
d - Grave discriminação pessoal
 

Rafael Fais

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