Queremos conhecer e saber cada vez mais sobre cada um dos ministros do novo governo.
Entrevistas e declarações ajudam a entender como os ministros pensam, como vão agir e o que pretendem para suas áreas. Você consegue imaginar a gritaria, se a ministra não falasse com a imprensa? Quanta reclamação sobre a falta de diálogo, se ela não se explicasse?
Antes de completar 24 horas, a polêmica do azul e rosa estava sendo exposta pela ministra em entrevista para cinco jornalistas que perguntaram o que quiseram durante uma hora. Ela explicou o que quis dizer com a declaração, fez suas argumentações de forma solícita, sem perder a paciência ou a diplomacia em nenhum momento. Pode dar media training para o Onyx Lorenzoni, caso ele continue no governo e as confissões/denúncias de caixa dois não se considerem robustas e sirvam apenas para enrubescer o governo.
Continue conversando e nos contando sobre como vai governar, ministra. Pois precisamos te conhecer e conhecer melhor suas ideias. E quando essas ideias forem confrontadas pela realidade e a senhora quiser mudá-las, não há problema nenhum. Repensar ideologias, combates, debates é um dever de quem ocupa cargos e desenha políticas públicas. É algo essencial para a sobrevivência de qualquer pessoa, em qualquer área da vida, acontece com todos: um estudante ante a expectativa e a realidade da prova, uma dona de casa entre a leitura da receita e o sabor do prato, o empreendedor ante o planejamento das vendas e a sobra dos produtos encalhados.
Meio-termo
Quando as ideias ganham a rua e encontram a realidade, há a necessidade dos ajustes, do aparo de arestas, da conformidade entre o que foi pensado e o que o cidadão de fato precisa e deseja. Sua experiência será bem vinda e será bem vinda sua capacidade de mudar a direção, se constatar essa necessidade.
Pelo visto, o maior desafio será equilibrar o combate à ideologia de gênero com a prevenção ao bullying, ao preconceito e violência contra LGBTs. São dois temas espinhosos, pois quem não quer o bem da população LGBT pode usar o combate (palavra ruim) à ideologia de gênero para tentar sufocar a pauta dos direitos dessa parte da população. Como a senhora vai lidar com isso? Seria uma boa resposta concentrar esforços nos dois lados e dar a mesma atenção aos direitos e bem-estar tanto da população LGBT quanto daqueles que não podem ser influenciados pela ideologia de gênero?
Se a realidade desmentir suas ideologias, esperamos que tenha outro conteúdo para ser usado.
Quem viu a entrevista, ouviu Damares Alves dizer que suas falas saem de contexto porque são pinçadas de palestras ou falas em igrejas "direcionadas para o público dela". É verdade, fazia apenas um dia que estava no cargo quando a declaração polemizou. Agora, como parte do governo, já viu que precisa ajustar as declarações para outro público, pessoas de um país maior que qualquer religião. A experiência de Damares em igrejas e na câmara dos deputados, como advogada, será testada num Brasil de mais de 200 milhões de habitantes.
Meio-termo 2
A explicação da ministra sobre o que quis dizer e seus argumentos a favor de suas ideias e de sua ideologia (como ela mesmo definiu em resposta a um dos jornalistas) não significa que se vá entender ou gostar de tudo o que foi dito.
Se tiver na gestão a mesma disposição para dialogar e contemporizar como teve na entrevista, poderá fazer um bom trabalho no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. São muitas Mulheres, Famílias. E Direitos? O Brasil precisa que Damares seja uma super-humana. Mutante.
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