A aceitação de denúncias que tornaram réu o senador Aécio Neves significa uma passagem de fase na narrativa política que vimos até aqui. Quatro anos depois do início da Lava-Jato, o Brasil vai acompanhar agora, resta saber se com o mesmo fôlego e o mesmo interesse, o resultado de delações que atingem o partido considerado por muitos como intocável, o ninho do poder desde que o poder é poder no Brasil: o PSDB de Aécio Neves,Geraldo Alckmin, FHC. Sem considerar as minúcias técnicas e o funcionamento da interpretação da lei na cabeça dos juízes que vão julgar Aécio, fato é que alcançamos uma etapa desafiadora dessa história de delatados e delatores, perdidos num labirinto do qual não conseguem sair. A galera na arquibancada precisa de um gol de empate e, se Aécio for pra cadeia como Lula foi, restará a sensação de Justiça e de que a lei esta sendo usada para todos.
E se não for? Como passará a ser encarada essa sensação antiga de que há dois pesos e duas medidas no Brasil, país de política fiel ao coronelismo, a libidinosos casos extraconjugais do dinheiro público com a artimanha das empresas privadas? A narrativa que ainda ouvimos na mídia e nas redes sociais é aquela já exaustiva de que estamos divididos entre a Direita e a Esquerda, entre forças jurídicas e midiáticas que querem acabar com a Esquerda e com o PT para manter a Direita do PMDB e do PSDB onde sempre estiveram. Se Aécio for julgado e condenado, essa narrativa será testada novamente e terá de ser substituída por outra. Mas basta olhar as redes, a mídia tradicional e alternativa para ver que a prisão de Eduardo Cunha e de Sérgio Cabral, ambos do PMDB, não calaram os gritos de quem tem uma impressão, fácil de se justificar com tantas notícias de impunidade, de que vivemos num país em que a justiça diferencia corruptos por partidos e legendas.
Os próximos passos, votos, recursos e condenações serão a resposta para interromper essa sensação de que, no Brasil, a lei é Bela Adormecida para quem tem conexão e dinheiro e é Malévola para quem não faz parte do jogo. Rafael Fais
E se não for? Como passará a ser encarada essa sensação antiga de que há dois pesos e duas medidas no Brasil, país de política fiel ao coronelismo, a libidinosos casos extraconjugais do dinheiro público com a artimanha das empresas privadas? A narrativa que ainda ouvimos na mídia e nas redes sociais é aquela já exaustiva de que estamos divididos entre a Direita e a Esquerda, entre forças jurídicas e midiáticas que querem acabar com a Esquerda e com o PT para manter a Direita do PMDB e do PSDB onde sempre estiveram. Se Aécio for julgado e condenado, essa narrativa será testada novamente e terá de ser substituída por outra. Mas basta olhar as redes, a mídia tradicional e alternativa para ver que a prisão de Eduardo Cunha e de Sérgio Cabral, ambos do PMDB, não calaram os gritos de quem tem uma impressão, fácil de se justificar com tantas notícias de impunidade, de que vivemos num país em que a justiça diferencia corruptos por partidos e legendas.
Os próximos passos, votos, recursos e condenações serão a resposta para interromper essa sensação de que, no Brasil, a lei é Bela Adormecida para quem tem conexão e dinheiro e é Malévola para quem não faz parte do jogo. Rafael Fais
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