Mujica, uma revolução tranquila. Black Mirror, uma revolução assustadora

   Hoje o post é sobre um adorável político e uma série deliciosamente bizarra. Li Mujica, Revolução Tranquila e assisti Black Mirror no ano passado. Os dois conquistaram lugar especial nas lembranças de 2016

Black Mirror

   As ideias e a execução dos episódios são primorosos. A presença da tecnologia no cotidiano é levada ao extremo e a vulnerabilidade emocional dos personagens diante de aplicativos é exposta de maneira constrangedora nos episódios que me prenderam em quase todos os minutos. Nosedive foi o mais impactante. Se você não se parece um pouquinho com a personagem principal, vai reconhecer características de Lacie em alguém próximo a você. Ela faz das redes sociais uma vitrine da vida que gostaria de ter. Só que nesse mundo Black Mirror, as pessoas dão notas umas as outras e quem tem notas baixas é discriminado. Nosedive esfrega na cara de todo mundo o lado ruim de uma Internet capaz de fabricar pessoas obedientes a seus estímulos, sem questionamentos. A pergunta é se as pessoas se tornam reféns da tecnologia ou da própria falta de personalidade e capacidade crítica.

                          Arte do curitibano Butcher Billy sobre o episódio. Veja mais imagens incríveis criadas por ele sobre Black Mirror butcherbilly.tumblr.com


Mujica - A Revolução Tranquila


   O livro escrito pelo jornalista Mauricio Rabuffetti conta as aventuras de José Mujica, ex-presidente do Uruguai (2011-2015).
   
   O texto organiza as experiências do político desde a guerrilha armada até a escolha pela democracia e seus dias como presidente do país. A leitura é um agradável contato com a história do Uruguai e de um homem de vida simples, praticante e defensor do consumo sustentável, que com seu exemplo de vida ajuda a escancarar o erro de biografias de tantos presidentes ao redor do globo, ligados a escândalos de corrupção e desvio.

   Conhecer a história de alguém que nunca desistiu de realizar mudanças em seu país, descobrir seu entendimento e uso da  presidência como um serviço ao povo é um oásis no meio do noticiário atual. 

   Na ONU, acompanhamos um Mujica destemido, à vontade, diante de líderes globais, expondo ideias e críticas à políticas responsáveis por hábitos de vida insustentáveis sob o ponto de vista material, político e espiritual. Hábitos que segundo ele, são estimulados por muitos dos governantes presentes.
   
   Aliás, com que frequência ouvimos a palavra espiritual, saindo espontaneamente da boca de algum político?
   

   No discurso de Mujica tudo parece autêntico, suas ideias vão ao encontro das necessidades básicas do ser humano em qualquer lugar do mundo, ganhando apoio e admiração dos mais variados públicos.
   
   Mujica não esta envolvido em casos de corrupção, não cultiva hábitos luxuosos, não tem seu nome associado a altas cifras seja de dinheiro público ou privado. Doa boa parte de seu salário e vive com o que chama de "necessário", isso para descomplicar a vida, como explica nas entrevistas ao jornalista. Quando terminar de ler, você vai se perguntar o que falta para termos mais políticos como ele, ainda que sua presidência tenha críticas e falhas, também retratadas no livro. Rafael Fais






 

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