Depois de semanas ouvindo a situação de calamidade das contas públicas
do Rio de Janeiro, não tenho como ignorar o gostinho de alívio ao ver os dois
ex-governadores presos. Garotinho e Cabral foram levados de seus apartamentos,
acusados de corrupção. Os comentários das notícias trazem a comemoração dos
leitores. Mas é uma pena o povo brasileiro se alegrar com a desgraça alheia
mesmo que a decadência de uns seja a maneira de fechar a cascata de armações,
baixarias e todo tipo de falcatruas que impedem nosso povo de aproveitar sua
grandeza. Vai levar muito tempo para comemorarmos bons índices de aprovação na
Educação, na Saúde, na Segurança e no Transporte, com mudanças significativas
porque as notícias mostram um jogo infinito de desculpas.
Na mesma manhã da prisão de Cabral, Romero Jucá é
oficializado como líder do Governo Temer. Sua biografia recente inclui a
gravação em que conspira contra a Operação Lava Jato, pedindo a mudança de
Governo e dizendo que advogados não conseguem "resolver isso aí". Ele
também foi líder do governo de Dilma Roussef e Lula. A notícia sobre sua
liderança explica suas funções: "O cargo de líder do governo dá a Jucá o status de
interlocutor do presidente da República para encaminhar projetos, negociações e
votações de interesse do governo." Temer tentou explicar sem nos confundir
que não há problemas em ter um líder de governo que não conseguiu permanecer
mais de 12 dias como ministro do Planejamento em razão de suas conversas
conspiratórias. Imaginem ele tentar explicar que seu escolhido é o mesmo de
dois governos, o de Lula e Dilma, que ele acusa de terem falido moral e
economicamente o país. É um jogo infinito de repetição e desculpas, não importa
em que governo estamos.
E enquanto esse jogo durar, vamos aguentar a sina de
torcermos pela derrota dos bandidos sem termos como comemorar a vitória
dos mocinhos.
Rafael Fais
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