Estive relendo reportagens sobre a publicação pelo semanário Charlie Hebdo de uma charge em que o menino Aylan seria um "apalpador de bundas", na Alemanha, se tivesse sobrevivido e fosse adulto no país. A peça é provocativa, tem conteúdo e objetivo dificilmente defensáveis, e claro que flerta com o insulto, principalmente para a família dos envolvidos diretos dessa tragédia, além de todos que se encontram na mesma situação da família do menino que morreu afogado.
Esta aí a maneira mais rápida de sentir o impacto da publicação. E essa maneira me parece bastante aceitável, embora não deva ser a única.
Uma outra interpretação da charge, essa sem cair no eterno dilema entre o bem e o mal e em observar apenas os lados mais visíveis de um fato, é tentar desvendar a quem o semanário provoca além da família e dos refugiados.
Mais provocada do que eles deve se sentir a Alemanha e os países que tratam de forma desumana e relegam à marginalidade os milhares de estrangeiros que procuram refúgio em suas terras. Não é tarefa simples nem fácil abrigar um número tão alto de pessoas e proporcionar meios para que se desenvolvam e tenham uma vida no mínimo digna. Claro que não. Nem a Europa nem os Estados Unidos conseguem dar isso a todos os seus cidadãos, e faz tempo. Mas a charge de mal gosto é muito hábil em sacudir o orgulho de países como esses porque o discurso do apoio e das boas intenções se fragiliza cada vez mais diante da realidade dessa grave e angulosa questão. Rafael Fais
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