No início de setembro, o Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, exibiu uma mostra comemorativa pelos 20 anos do movimento Dogma, idealizado pelos cineastas Lars Von Trier e Tomas Vinterberg. O objetivo dos dois era fazer um cinema menos comercial, mais autoral. Autenticidade, naturalismo e verdade são palavras sempre usadas para descrever o movimento. Lars e Vinterberg achavam que os filmes, naquela época, já estavam contaminados por efeitos especiais, interpretações exageradas e excesso de ação.
Até a publicidade, anos depois, começou a tentar fazer com que o público passasse a se ver nos comerciais, buscando pessoas mais semelhantes com clientes reais de bancos, mulheres comuns que usam cosméticos, jovens universitários. Veja os exemplos da campanha Real Beleza dos sabonetes Dove, e uma das campanhas do Santander. Resta saber para quem isso funciona.
Propaganda de Banco tenta mostrar um cliente real
Mas se o cinema e a propaganda precisam de mais verdade, imagine a política no Brasil dos últimos 20 anos. Marqueteiros, cineastas, relações públicas, jornalistas, maquiadores, iluminadores, roteiristas, e muitos outros profissionais, ajudam a vender um personagem que é o político. Se o personagem já está construído pelo próprio político, e as pesquisas indicam que ele não agrada ao eleitorado, a equipe muda o tom da voz, o estilo das roupas, o discurso. Lulinha Paz e Amor é um exemplo disso, e agora querem resgatá-lo, como conta a Folha. "Segundo pesquisas internas do partido, o aspecto beligerante seria uma das fontes de desgaste da imagem da sigla", diz a reportagem.
Mas falei demais e o que eu queria mesmo era falar de um movimento Dogma para os nossos políticos. Para que eles se esforcem mais na aproximação da vida real dos brasileiros. Falo da segunda-feira de manhã de todos nós, essa que passa longe das inaugurações vistas na TV, dos videos que mostram um país que não parece o nosso, longe ainda dos cargos de necessidade inexplicável como os de Ideli Salvatti e de seu marido no exterior, das passagens aéreas para mulheres de deputados, da gigante comitiva de Dilma na ONU, levada para lá com nosso dinheiro. Esse mesmo dinheiro que outros políticos e presidentes também já usaram antes, esse que faz tanta falta nas ruas mal iluminadas onde acontecem assassinatos de jovens inocentes ou que são exterminados, mesmo depois de se renderem, como no caso revelado ontem em todos os telejornais, em que assistimos a um policial manipulando a cena do crime ao colocar uma arma na mão de um jovem morto no chão.
Alguns dos Dogmas para uma outra Política:
O político não pode usar metáforas para explicar projetos, justificar gastos, falar da situação do país, do estado, da cidade onde presta o serviço público.
O político não pode usar exemplos de outros países para falar do Brasil.
O político não pode falar "nós", nem "eles". Tem que falar "eu" para ficar claro o que ele pensa e não misturar sua personalidade e sua responsabilidade com a do partido ou do grupo que representa. Assim evita-se confusão e não ficamos sem saber se ele está falando do povo ou deles, a classe política. Afinal, quem paga tudo é o dinheiro do povo.
O político não pode se referir aos problemas do país, da cidade e do estado de uma forma geral. Tem que falar um por um, explicar qual é a situação e qual é o problema ao qual se refere. Porque os problemas são muitos e exigem diferentes planos e ações.
O político não pode falar sem fixar prazos para que aconteça o que está prometendo, o que está sugerindo para o país deve ter uma data para que possamos consultar o andamento do projeto. A nossa vida funciona com datas e prazos, não é?
O político não pode deixar de falar e explicar o motivo que o leva a acreditar que a medida que vai tomar é a melhor para o povo.
O político deve responder sempre como vai realizar o que está falando e prometendo.
Isso para começar. Apenas começar! Rafael Fais
Até a publicidade, anos depois, começou a tentar fazer com que o público passasse a se ver nos comerciais, buscando pessoas mais semelhantes com clientes reais de bancos, mulheres comuns que usam cosméticos, jovens universitários. Veja os exemplos da campanha Real Beleza dos sabonetes Dove, e uma das campanhas do Santander. Resta saber para quem isso funciona.
Mas se o cinema e a propaganda precisam de mais verdade, imagine a política no Brasil dos últimos 20 anos. Marqueteiros, cineastas, relações públicas, jornalistas, maquiadores, iluminadores, roteiristas, e muitos outros profissionais, ajudam a vender um personagem que é o político. Se o personagem já está construído pelo próprio político, e as pesquisas indicam que ele não agrada ao eleitorado, a equipe muda o tom da voz, o estilo das roupas, o discurso. Lulinha Paz e Amor é um exemplo disso, e agora querem resgatá-lo, como conta a Folha. "Segundo pesquisas internas do partido, o aspecto beligerante seria uma das fontes de desgaste da imagem da sigla", diz a reportagem.
Mas falei demais e o que eu queria mesmo era falar de um movimento Dogma para os nossos políticos. Para que eles se esforcem mais na aproximação da vida real dos brasileiros. Falo da segunda-feira de manhã de todos nós, essa que passa longe das inaugurações vistas na TV, dos videos que mostram um país que não parece o nosso, longe ainda dos cargos de necessidade inexplicável como os de Ideli Salvatti e de seu marido no exterior, das passagens aéreas para mulheres de deputados, da gigante comitiva de Dilma na ONU, levada para lá com nosso dinheiro. Esse mesmo dinheiro que outros políticos e presidentes também já usaram antes, esse que faz tanta falta nas ruas mal iluminadas onde acontecem assassinatos de jovens inocentes ou que são exterminados, mesmo depois de se renderem, como no caso revelado ontem em todos os telejornais, em que assistimos a um policial manipulando a cena do crime ao colocar uma arma na mão de um jovem morto no chão.
Alguns dos Dogmas para uma outra Política:
O político não pode usar metáforas para explicar projetos, justificar gastos, falar da situação do país, do estado, da cidade onde presta o serviço público.
O político não pode usar exemplos de outros países para falar do Brasil.
O político não pode falar "nós", nem "eles". Tem que falar "eu" para ficar claro o que ele pensa e não misturar sua personalidade e sua responsabilidade com a do partido ou do grupo que representa. Assim evita-se confusão e não ficamos sem saber se ele está falando do povo ou deles, a classe política. Afinal, quem paga tudo é o dinheiro do povo.
O político não pode se referir aos problemas do país, da cidade e do estado de uma forma geral. Tem que falar um por um, explicar qual é a situação e qual é o problema ao qual se refere. Porque os problemas são muitos e exigem diferentes planos e ações.
O político não pode falar sem fixar prazos para que aconteça o que está prometendo, o que está sugerindo para o país deve ter uma data para que possamos consultar o andamento do projeto. A nossa vida funciona com datas e prazos, não é?
O político não pode deixar de falar e explicar o motivo que o leva a acreditar que a medida que vai tomar é a melhor para o povo.
O político deve responder sempre como vai realizar o que está falando e prometendo.
Isso para começar. Apenas começar! Rafael Fais