A Imprensa Ajuda A Entender O Significado Da Mudança De Turma De Dias Toffoli?
Rafael Fais - Na terça-feira, enquanto eu via o Jornal da Cultura, com comentários ao vivo durante a exibição das reportagens, um cientista político aconselhou os ministros do Supremo Tribunal de Justiça a "demover" o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, José Antônio Dias Toffoli, de passar da primeira para a Segunda Turma, a fim de evitar que ele faça parte do julgamento dos réus da Lava Jato. Para o cientista, o magistrado comprometeria a isenção do julgamento pela proximidade que teve (ou tem) com o PT. A fala foi motivada porque um telespectador avisou pelo Twitter ao apresentador do jornal a mudança de Toffoli. Antes disso, os comentaristas falavam apenas da demora da presidente Dilma em escolher o substituto do ministro Joaquim Barbosa, o que estaria atrasando os trabalhos da corte. Pouco depois, nos sites de notícias vi que partiu de três dos ministros do STF a iniciativa de pedir para Toffoli a transferência que também o transforma em presidente da segunda turma, a que vai julgar os réus da Lava Jato. Então os ministros pediram ao ex-advogado do PT exatamente o contrário do que aconselhava o cientista preocupado com o comprometimento do julgamento por alguém, visto por ele, como próximo demais ao partido do Governo.
Quem assiste ao Jornal da Cultura sabe que os comentários dos convidados são pouco afeitos ao PT. Veja que o analista entendeu a presença de Toffoli no possível julgamento como uma ameaça ao princípio da isonomia. Ele é usado para garantir a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de classe. Note que o cientista entende a presença de Toffoli um fator que pode amenizar a situação do Governo petista.
Hoje, li sobre a transferência de Toffoli no blog do jornalista Paulo Moreira Leite, editor do jornal 247, em Brasília. Paulo passou por várias redações do país e escreveu "A Outra História do Mensalão". As redações pelas quais o jornalista passou são vistas por membros do PT como contrárias ao partido. Algumas são claras em demonstrar isso como a Veja, outras um pouquinho menos como a Época.
Paulo expressa no post "Chance Perdida" que a presença de Toffoli sinaliza dificuldades à plena defesa dos réus da Lava Jato porque o ministro é "visto como um aliado seguro de Gilmar Mendes, hoje o mais destacado ministro da Segunda Turma — e um adversário assumido do Partido dos Trabalhadores", é o que escreve Moreira Leite. Note que o jornalista entende a presença de Toffoli no julgamento um fator que pode agravar a situação do Governo petista.
Os argumentos dessa pequena fração da nossa imprensa, rapidamente dados por especialistas ligados a veículos jornalísticos, ainda não ajudam muito a entender o que acontece no país, neste momento determinante em que vários atores parecem titubear.
Só depois do julgamento dos réus da Lava Jato é que vamos saber o que a evidente intimidade entre os Poderes significou para o país. (Rafael Fais)