
"É por isso que o preto se amarra num branco
E o branco se amarra num preto também
Até em cartório já ficou provado
A força que o preto no branco contém
Depois que mistura seu nome ao dela
É difícil tirar esse nome de alguém
É por isso que o preto se amarra num branco
E o branco se amarra num preto também" (Bezerra da Silva)
Aos 38 anos a Apple, a empresa mais superlativa do mundo, inclui nos seus aplicativos uma caretinha além das brancas. Quanto tempo para descobrir que o mundo é diversificado.
Esse atraso que passou batido por toda a criatividade de Steve Jobs e por toda a genialidade atribuída à empresa demonstra o quanto o lado positivo da Apple é supervalorizado. Do outro lado, estão trabalho escravo, suicídios entre funcionários, disputas judiciais por quebras de patentes. Fatos de um mundo menos colorido, noticiado sem o barulho que o tamanho da nova tela do Iphone ou um novo design despertam na mídia e nos consumidores.
Jonathan Franzen, um dos romancistas mais respeitados do mundo, critica em seu livro "Liberdade" o que a bajulação e o entusiasmo com a empresa causam ao consumo consciente. As respostas dadas pelo veterano roqueiro Richard Katz ao aspirante a músico Zachary, da geração Itunes, justificam o lugar de Franzen no meio literário. "Somos a favor do respeito e da exploração permanente de nossos direitos de propriedade intelectual. Somos a favor de convencer crianças de dez anos a gastar vinte e cinco dólares numa linda proteção de silicone para o seu Ipod que uma subsidiária licenciada da pela Apple Computers gasta trinta e nove centavos de dólares para fabricar", ironiza o personagem.
O mundo não é monocromático e nosso sambista Bezerra Da Silva já sabia disso quando cantou O Preto e o Branco. (Rafael Fais)
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| Liberdade - Jonathan Franzen |
