Cantora de voz doce, afinada, envia romance e simplicidade para quem ouve seu canto. Por um momento, em seu show no Centro Cultural São Paulo, espero por uma nota mais grave, uma potência surpreendente que ela parece guardar para um momento, o momento. Mas a voz e as canções seguem mansas, embora seu olhar ambicioso arrebate quem está na mira. Sua força está na coerência das melodias e das letras das canções. A música de Tiê cria atmosfera de intimidade, é som que faz sentir estar na casa de uma velha amiga ouvindo música desconhecida, que desconfiamos ser familiar.
Quando a cidade estiver demais histriônica e o coração pedir menos volume e mais doçura chame Tiê. Seu canto faz sentir vontade de presença para abraçar, compartilhar. Se brigou com alguém , não ouça. Se está para dizer "te amo, te quero", ela vai te encorajar.
No jeito dela cantar percebo uma insinuação que não se realiza, e por isso dá vontade de ouvi-la muitas vezes. Falta alguma coisa no som. Parece. Só parece. Porque Tiê é uma artista que toca os sentidos e acorda a imaginação. Essa sensação de algo esperado que não vem, que não está completo, acontece em razão da originalidade do trabalho dessa artista que está construindo algo novo, dona de um repertório que não vem prontinho para ser classificado.