Gosto do esforço de escrever quando algo que vejo, escuto ou assisto afrouxa minhas amarras e deixa a escrita fluir sem eu pensar se será lida ou se está correta. O gostar se torna então necessidade. Uma exposição de Mario Cravo Neto causou em mim esse efeito. No Instituto Tomie Ohtake vi a reprodução de um canto da casa do fotógrafo Pierre Verger como esse canto estava quando ele morreu. Um vaso com espadas-de-são-jorge, o cajado do avô do artista, três fotos no chão ao lado de um banco de pedra com seis ou sete pequenas esferas do mesmo material embaixo. A simples harmonia dos gênios revelada num canto da casa desse fotógrafo que adotou o Brasil e fez da própria vida, através das imagens que capturou, uma possibilidade de desnudar o dia a dia para revelar beleza.
Ao ver esse canto foi como se esse homem gritasse para mim a sua necessidade de achar o belo, não a cínica beleza que esquece ou ignora as causas e os efeitos, mas a que vem da necessidade de seguir em frente apesar desse dia a dia, de encontrar nele mesmo um efeito reparatório, um significado escondido que pode apresentar sentido durante um dia ou um instante.
Ao ver esse canto foi como se esse homem gritasse para mim a sua necessidade de achar o belo, não a cínica beleza que esquece ou ignora as causas e os efeitos, mas a que vem da necessidade de seguir em frente apesar desse dia a dia, de encontrar nele mesmo um efeito reparatório, um significado escondido que pode apresentar sentido durante um dia ou um instante.